EMACO

Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras


No passado dia 06 de Maio de 2017, fomos, com a EMACO – Espaço e Memória, Associação Cultural de Oeiras, de passeio até Fanhões, ali para os lados de Loures, terra de inumeráveis cultores dessa arte popular que vem recebendo tratos de polé e que é a calçada portuguesa.

Ponto de encontro junto ao monumento evocativo ao calceteiro de Fanhões, estátua da autoria da escultora Eduarda Filhó, homenagem e recordação para os vindouros  de que aquela foi terra de calceteiros

 

 Depois, um breve passeio por Fanhões, de olhos literalmente colados ao chão, apreciando as diversas manifestações dessa arte de calceteiros em que esta povoação é pródiga.

 

 

 

Uma especial menção à entrada da Igreja de São Saturnino (edificada em 1575), que também visitámos, com um belo exemplo da arte de calceteiro.

 

 

Uma cruz na calçada, entre pedra sextavadas e «marretas» (para quem não saiba, trata-se de metade de uma sextavada), que ela há marretas as mais diversas…

 

 

 

Ernesto Matos apresenta-nos um exemplo, existente na igreja de São Saturnino, de outras aplicações possíveis da técnica da calçada portuguesa… … enquanto nos deliciávamos com um pastel de nata, acabadinho de sair do forno, numa das pastelarias do largo central.

 

 

 

Visita à casa-galeria da calçada portuguesa de Zé da Clara, onde fomos muito aprazivelmente recebidos e guiados pelo próprio, cheio de bonomia e grande sentido de humor, e assistimos a uma exposição sobre a história e as vicissitudes por que vai passando a calçada portuguesa, por parte de Ernesto Matos, enormíssimo cultor desta manifestação artística, com diversos livros publicados sobre o tema, de que se destaca aqui Fanhões – Homines Petrae, exactamente dedicado a esta comunidade e seu labor.
Fanhões, no concelho de Loures, é terra de mestres calceteiros. Local evocado no Memorial do Convento, quando José Saramago refere os homens que carregam as pedras para a construção do “convento de sua majestade”. O presente livro assume-se como uma homenagem a estes homens, mestres do passado e do presente, que espalharam a sua arte pelos passeios de Lisboa e de outras cidades do mundo. Ernesto Matos e Lonha Heilmair partem em busca da memória viva e das histórias destes artesãos que “afeiçoam as pedras na palma da mão”. Homens de “mãos calejadas pelas rudes pedras e pelos martelos de aço negro” que com o seu talento e sensibilidade embelezam as ruas da cidade, enchendo de sonhos o nosso quotidiano.
Depois, foi uma aprazível passeata e convívio através dos notáveis exemplos expostos, com um ou outro poema de circunstância à mistura, até porque Ernesto Matos faz sempre questão de casar, em cada livro seu, o tema da sua paixão – a calçada portuguesa – com um fio de poemas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por fim, dirigimo-nos ao restaurante O Saloio (R. Francisco Mateus Germano 19, 2670-722 Fanhões), para um almoço-convívio.
O menu: entradas, pernil assado no forno com batatinhas assadas ou bacalhau à brás, que nos deixaram com vontade de voltar.

 

(fotografias de Jorge Castro)

 

Read More
Decorreu, no passado dia 22 de Abril de 2017, a nossa evocação de Abril, levada a efeito com organização em parceria entre a EMACO – Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras e a A25A – Associação 25 de Abril, como vem sendo já prática dos últimos quatro anos.
 

 

A sessão teve lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras tendo contado com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras.

 

 

 

A sessão teve início com a alocução do nosso anfitrião, Paulo Vistas,
actual presidente da Câmara de Oeiras…

 

… a que se seguiu uma breve evocação do 25 de Abril e enquadramento desta sessão evocativa, por parte de Joaquim Boiça (EMACO).

 

Numa sala muito bem composta e participada…

 

… assistimos aos temas propostos pelos Lavoisier – Patrícia e Roberto – que nos encheram a…

 

.. sala e o espírito com o seu peculiar modo de «ver» temas incontornáveis da música portuguesa, que empolgaram a assistência…

 

… e fizeram jus ao nome, pois nada criando e nada deixando perder, tudo (tão bem) transformaram.

 

A seguir, a violinista Raquel Cambournac cumpriu bem o desidério da organização do evento…

 

… ao demonstrar o quanto do espírito de Abril subsiste e se afirma, para além do passar do tempo.

 

Simões Teles, em representação da Associação 25 de Abril, faz a sua alocução, anunciando, de seguida, a constituição do painel que iria debater o tema proposto para esta evocação:
Os Valores de Abril e a Democracia Local.

 

Painel esse cuja moderação contou com a muito bem conseguida
participação do jornalista Rui Cardoso. Eis a sua constituição:

 

José Pós-de-Mina (autarca pela CDU)

 

Vasco Franco (autarca pelo PS)

 

Helena Roseta (autarca independente)

 

António Capucho (autarca pelo PSD)

 

Após as muito interessantes participações dos elementos do painel de convidados, foi aberto o espaço para questões a colocar pela assistência…
… espaço participado, a sugerir pistas para eventual novo encontro, a realizar noutros moldes, em torno da mesma temática, que se verificou fecunda e motivadora.

 

Por fim, um momento de poesia em torno de José Afonso e dos valores de Abril,
a cargo de Jorge Castro

 

… com a excelente cumplicidade de João Paulo Oliveira, a trazer-nos…

 

… o Zeca em belas interpretações…

 

… que tiveram, entre outras coisas, o alto mérito de impelir os nossos convidados o entoar da Grândola Vila Morena, irmanados com a audiência, numa afinação de vozes rara de ouvir.

 

A sessão teve o seu epílogo num almoço-convívio no restaurante da Cooperativa Nova Morada, em Oeiras, onde foi descerrada uma lápide – desta vez bem mais saborosa – evocativa do 43º aniversário do nosso Abril.

 

 

– fotografias de Lourdes Calmeiro
Read More
–  Após a nossa partida, cerca das 8 horas da manhã, de Oeiras, chegada a Coruche, ao Santuário de Nossa Senhora do Castelo.
– Torre do Santuário
– Panorâmicas de Coruche, tomadas do Santuário
– Com Joaquim Boiça uma história breve de Coruche, com especial incidência…
… no Castelo… que já não está lá. Mas que não deixou, por isso, de constituir um desafio ao conhecimento, porventura até estimulado por essa histórica ausência, como referiu o palestrante.
José Meco ilustra-nos, com a sua habitual mestria e profundidade de conhecimentos, sobre o «pouco» que haveria a dizer acerca do Santuário, de onde, afinal, nos transporta sempre para uma viagem de circum-navegação a saberes… impensáveis quase.
– Em seguida, a visita guiada ao Museu Municipal de Coruche foi antecedida por uma homenagem, a meu cargo, ao grupo Um Poema na Vila que, tendo ao leme Ana Freitas, tem tido artes, ao longo de quatro anos  já, de levar a bom porto um projecto poético, que conta com o envolvimento de inúmeros concidadãos em redor dessa viagem sempre transcendente que é a poesia, em geral, e o amor à terra e às gentes da região, em particular.
Alguma poesia se disse, claro…
– Ana Freitas fala-nos sobre as actividades do grupo e diz poemas das colectâneas Poesia no Montado e A Minha Rua, com edição da Apenas Livros.
– Apresentação do Projecto Museológico de Coruche,  consubstanciado no seu Museu Municipal, a cargo da nossa anfitriã, Ana Correia…
… que nos acompanhou, esclarecendo dúvidas e sublinhando referências, ao longo da exposição permanente, subordinada ao tema O Céu, a Terra e os Homens
(Já agora, não me perguntem porque carga de água é que estas três fotos a seguir se encontram deitadas… Talvez já manifestações do cansaço da viagem. Mas por mais que faça, elas já não se corrigem. Assim ficam, que não se deve contrariar muito teimosos impenitentes…)
A visita terminou com uma passagem pela exposição temporária sobre os primórdios da Saúde Pública na região de Coruche.
É também Ana Correia que nos leva ao longo do centro da vila, em visita guiada…
… que terminou junto à Igreja da Misericórdia.
Aí se recolheram evidências de que a hora era de repasto, até como contraponto às cerca de seis horas e tal que levávamos já desde a nossa partida, em Oeiras.
O Restaurante Aliança foi o nosso ponto de reconstituição de energias.
Uma abertura com cachola, à moda de Coruche…
… a que se seguiu um bacalhau assado, à moda de Coruche…
… seguido de um cozido à portuguesa, à moda de Coruche (como nem podia deixar de ser, se bem repararem). Depois sobremesas, cafés e, até, uma branquinha para os mais disponíveis… A fartura e a qualidade deixaram todos bem convencidos, o que posso sobejamente confirmar através de incontáveis manifestações de apreço nesse sentido.
No final, Idália Silva, a proprietária do Restaurante Aliança,  propriedade essa que reparte com o seu José Silva, ainda nos presenteou a todos com as suas quadras saborosamente populares, que trazem necessária e fundadamente um
«voltem sempre, com um abraço e um beijinho».
De seguida, rumámos à fábrica Amorim Irmãos, Unidade Industrial Equipar, onde efectuámos uma visita às instalações, não sem que antes nos tivéssemos equipado a rigor…
(Depois do Restaurante Aliança, nem tal seria possível, obviamente…!)
… pela mão sabedora e sempre afável de Isilda Bárbara
… onde, entre muitas outras coisas, se apurou, com algum espanto, a produção diária de cerca de 5 milhões de rolhas, grandíssima parte destinada à exportação, um pouco (ou muito) para todo o mundo.
Aqui ficam, também, algumas evidências:

 

 

 

 

Este nosso passeio culminou numa visita ao Observatório do Sobreiro e da Cortiça, nóvel instalação do maior interesse, onde pudemos apurar o seguinte
O Observatório do Sobreiro e da Cortiça é um edifício provocador, desenhado pelo Arquiteto Manuel Couceiro, com o intuito de criar uma orgânica que remeta para a metáfora do sobreiro enquanto elemento vivo.
                                           
O Observatório é revestido a cortiça e tem como objetivo 
tornar-se numa estrutura de valorização do montado de sobro como 
nicho ecológico de grande valor 
funcionando, para tal em parceria com associações de produtores, universidades, 
investigadores e associações empresariais.

Entre as diversas valências que compõem o edifício destacam-se os laboratórios e oficinas destinados ao estudo das temáticas do binómio sobreiro/cortiça. Destaque também para o centro de documentação que visa ser um espaço dedicado à compilação de elementos bibliográficos relacionados com a fileira da cortiça, para a sala destinada a formação profissional no âmbito da fileira e, por fim, para o auditório de 150 lugares com paredes revestidas de aglomerado negro e frescos em tons a fazer lembrar o montado. 

Regresso a casa. Quem foi, viu, sentiu e teve um dia cheio. Se quisermos, um dia em cheio.
E diria eu em jeito de publicitário mal-jeitoso: Com a EMACO, claro…! 
Publicado no blog Sete Mares (http://sete-mares.blogspot.com), por Jorge Castro, em 17-07-2016.
Read More
Muitos parabéns, José Meco!
A Espaço e Memória congratula-se pelo reconhecimento público do elevado mérito cultural e pelo prémio atribuído ao Professor José Meco pela Câmara  Municipal de Lisboa: Medalha de Ouro de Mérito Cultural.
EMACO
MEMÓRIA DE SÍTIO COM AZULEJOS E UM ABRAÇO FRATERNAL A JOSÉ MECO.
Só podemos congratular-nos com o sucesso científico e profissional de José Meco, «o bom gigante da História da Arte». Ao ser condecorado com a Medalha Municipal de Mérito Cultural de Ouro, só posso dizer que ele bem o merece, tanto pela sua obra pioneira, como pela defesa das suas causas de sempre em prol do Azulejo e das artes nacionais, como ainda pela sua postura humana e fraterna, sempre aberto a intervir e a ‘patrimonializar’, com tudo e todos, em prol dos saberes da cultura portuguesa… Já agora, a exposição por si comissariada no Museu de Lisboa, FRAGMENTOS DE COR, também merece ser visitada ! 
Vitor Serrão
Read More

Com a conclusão, no dia 4 de Junho, do Curso de Talha Dourada na Arte Portuguesa, com o Prof. José Meco, e,  como sua conclusão, preparámos um excelente Colóquio.

Foi aberto a todos os associados (além dos alunos do curso), obrigando, entretanto, a inscrição prévia, para ninguém ficar sem lugar. Ocorreu no sábado, 4 Junho 2016, das 15h às 18h30, no AUDITÓRIO CÉSAR BATALHA, nas Galerias Alto da Barra, em Oeiras.
O programa anunciado foi o seguinte:
15h00 – Francisco Lameira – Aspectos Artísticos da Talha Portuguesa
15h30 – Mónica Reis – Retábulos Indo-Portugueses (Goa e Província do Norte da Índia)
16h00 – Silvia Ferreira – Projectos e Desenhos Preparatórios da Talha
16h30 – DEBATE | INTERVALO
17h00 – Filomena Rodrigues – Restauro da Talha
17h30 – José Meco – Talha Indo-Portuguesa na Ilha de Moçambique
18h00 – Vítor Serrão – Historiografia e Historiadores da talha dourada
18h30 – DEBATE | ENCERRAMENTO
ENTRADA GRATUITA (limitada à capacidade da sala)
Read More
Numa iniciativa conjunta da EMACO – Espaço e Memória Associação Cultural de Oeiras
e A25A – Associação 25 de Abril, concretizámos a evocação do nosso Abril libertador,
contando também com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras,
que nos cedeu, para o efeito, o Auditório Municipal César Batalha.
Joaquim Boiça, em representação da EMACO…
… e Mário Simões Teles, pela A25A, deram as boas vindas aos presentes
e promoveram a abertura da sessão
Em breve mas intensa Evocação de Abril
João Sobral, pela voz…
… e Walter Lopes, com guitarra clássica, trouxeram-nos alguns momentos emblemáticos
 daquele dia inteiro e limpo…
 … com projecção de imagens alusivas, que contaram com o apoio de Eduardo Martins.
Aqui fica um destacado aplauso para estes amigos que tão desinteressada quanto empenhadamente, responderam ao desafio feito e que, assim, marcaram uma presença que engrandeceu o evento.
Foi, como é bom de ver, diminuta a sala para o público que acorreu a estas nossas Memórias.
Coube, de seguida, a Martins Guerreiro dar início à mesa redonda – conduzida com notável mestria – através da apresentação de cada um dos nossos convidados:
Victor Birne (Marinha)
José Carlos Nascimento (fotógrafo), cujas imagens, de sua autoria, recolhidas em 25 de Abril de 1974, acompanharam a nossa sessão
Nuno Santos Silva (Força Aérea)
António Borges Coelho (historiador)
Menino Vargas (Exército)
Carlos Costa (professor)
Deste rico painel, rico em vivências como em poder comunicativo, tivemos o que seria de esperar (e merecíamos): uma partilha de  de experiências, contadas na primeira pessoa, que afinal, tantos anos passados, sempre nos surpreende pela diversidade vivida e multifacetada. Conclui-se, então, que desta visão popular do 25 de Abril de 1974 urge fazer-se a recolha e divulgação da miríade de histórias de vida que tornam tão mais intensas e brilhantes as cores do arco-íris desse dia.
Por fim, a Poesia.
Com Ana Patacho Jorge Castro
… excelentemente acompanhados por Walter Lopes
… provámos – todos –  que de Abril se espera, ainda e sempre, um modo de ser!
– Fotografias da autoria de Lourdes Calmeiro
 – Publicado originalmente no blog Sete Mares, em Abril de 2016, por Jorge Castro.

Read More
Uma efeméride, uma etapa de um caminho a percorrer, a arte do encontro, um grande abraço, a congregação de espíritos em comunhão de sentimentos… enfim, o que melhor interpretarmos deste 25 de Abril organizado pela Espaço e Memória – Associação Cultural de Oeiras, com o apoio da Associação 25 de Abril e de quantos amigos quiseram partilhar esta evocação.
Aconteceu no auditório da Escola Secundária Sebastião e Silva (antigo Liceu de Oeiras).

 

Se quiserem , iniciando este passeio pelo fim, Acordai, com poema de José Gomes Ferreira e música de Fernando Lopes Graça, que foi cantado num grande ensemble, com o Cramol, o Grupo Coral VivaVoz e os assistentes, no final da sessão, como encerramento com chave de ouro.

 

  O livro Abril – Um Modo de Ser, da autoria de Jorge Castro, com edição apoiada pela Associação 25 de Abril e pela EMACO, apresentado nesta sessão e criado a pensar só em Abril, com composição gráfica concebida por Alexandre Castro,
apoiado por Cristiana Fertuzinhos.

 

 Os amigos que foram chegando…

 

 A composição da mesa, da esquerda para a direita:
Jorge Castro, Joaquim Boiça, Vítor Manuel Birne e Domingos Nunes Pereira

 

 – Joquim Boiça, na alocução de abertura, fazendo também, a apresentação dos convidados, além de uma breve resenha desta mesma acção, ocorrida em 2014, e promovida pela EMACO, e que se espera repetição constante em anos vindouros.

 

 – Jorge Castro, na apresentação de Abril – Um Modo de Ser, já lançado no Congresso da Cidadania, organizado pela Associação 25 de Abril, em 13 e 14 de Março passado…

 

 … propondo, em vários momentos, a leitura acompanhada de alguns dos poemas que integram o livro.

 

 

 – Heloisa Monteiro e Mário Piçarra, num excelente momento e
com uma mão-cheia de canções de Abril…

 

 … que nos revigoraram os espíritos.

 

– Logo de seguida, o coronel Domingos Nunes Pereira e…

 

 … o capitão-de-mar-e-guerra Vítor Manuel Birne trouxeram-nos evocações várias
(e nunca demais) desse dia inicial inteiro e limpo, como lhe chama Sophia,
culminando com a leitura da Mensagem da Associação 25 de Abril 
destinada às comemorações desta efeméride em 2015.

 

 Seguiu-se o Grupo Coral VivaVoz, dirigido pelo maestro Eduardo Martins e constituído por alunos do antigo Liceu de Oeiras e alguns amigos, local onde decorria este evento.

 

 Também eles encheram a sala com os sons de Abril, em arranjos musicais de grande originalidade e excelente interpretação, e que colheram grande agrado por parte da assistência que, em diversos momentos da actuação não resistiu a alargar a dimensão do Grupo a toda a sala.

 

 Logo a seguir, foi dando entrada o Cramol

 

 … cuja encenação, à sua chegada, logo preparou os ânimos, para o que havia de se seguir.

 

 Margarida Silva, do Cramol, trouxe-nos, também, o seu (nosso) Abril…

 

 … e a sala perturbou-se com a intensidade dos seus cantares.

 

 Em encerramento da sessão, o Grupo Coral VivaVoz e o Cramol, a que se associaram todos os presentes, entoaram o Acordai, qual hino tão cheio de actualidade.

 

 Depois, seguiu-se almoçarada e alegre convívio, com cantes, descantes e poemas à ilharga, em círculo de amigos e em confraternização, sempre necessária e urgente… e saudável exercício digestivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 E, sim, também assim se cumpre Abril. Sempre!
fotografias de Lourdes Calmeiro
 – Publicado originalmente no blog Sete Mares, por Jorge Castro.
Read More

nos dias 09, 10 e 11 de Fevereiro de 2013

Dia 09 de Fevereiro

 – Saída de Oeiras – Galerias Alto da Barra – Previsão de hora de saída: 6h. Saída efectiva pelas 6h45, em camioneta da DELTA BUS conduzida por José Gomes, entretanto vítima de pequeno atraso involuntário.

– Grupo constituído por 29 romeiros. Distribuição de documentação diversa, por parte da direcção da EMACO, relacionada com a temática dos lugares a visitar e distribuição do livro Havia Trigo – Habie Trigo, da autoria de Jorge Castro e retroversão para mirandês de Bárbolo Alves, edição da Apenas Livros (2003).

– Chegada a Miranda do Douro às 13h30 – check in no Hotel Turismo (Rua 1º de Maio – vide http://hotelturismomiranda.pai.pt/), unidade hoteleira que, após minuciosa investigação, sempre confirmámos que, afinal, dispunha de água quente, bem como dos demais aconchegos expectáveis. Mais do que isso, todos se manifestaram muito satisfeitos e aconchegados com o alojamento.

 

– Recepção, no largo do mercado e à entrada do Restaurante Capa d’Honras, por um conjunto de três jovens, equipados com gaita-de-foles, caixa e bombo e trajes a rigor, anunciando que, por ali, a música é outra.

 

– 14h – Almoço no Restaurante Capa d’Honras (capadhonras@hotmail.com), situado na Travessa do Castelo, com início de pequeno (…?!…) festival gastronómico, proposto por Paulo Gomes, dono do restaurante e nosso anfitrião. Para além das soberbas entradas, a fazer honra ao fumeiro da região, e do vinho da casa – vítima, aliás, de profusas e reiteradas libações –, o prato forte foi o Cozido à Mirandesa, para retempero do desgaste da viagem.

 

– Pelas 16h30, visita guiada e minuciosa à Central Hidroeléctrica de Miranda do Douro (EDP), muito interessadamente conduzida por dois jovens – David Silva e Hugo Palhares – que não se pouparam a esforços para divulgar até onde pode ir a mão e o engenho humanos, quer metafórica como materializado no terreno.

 

 
 

 – Após uma breve passagem pelo Hotel Turismo e atendendo ao adiantado da hora, rumámos, de novo, ao Capa d’Honras, onde nos esperava um Cabrito Mirandês grelhado, que suscitou inúmeras comoções ao rés das lágrimas, ao longo do repasto. Uma referência especial a uma saladinha de merujas ou meruges, planta selvagem, aquática e susceptível,que fez as nossas delícias. Já num registo mais apurado, em modo de Rui Costa Pinto dixit, estaremos em presença de uma erva anual, ou bienal, da família Portulacaeae, com caules (5-50 cm) ramificados nos nós inferiores, com ramos geralmente prostrados; folhas algo suculentas, sésseis, aproximadamente espatuladas, inteiras, opostas; flores diminutas, com 5 pétalas brancas, dispostas em cimeiras terminais e laterais, em qualquer caso, com poucas flores…
– Passeio noctuno para esmoer, a 1º acima de zero, pela cidade de Miranda – Sé (e ninguém conseguiu ver o 2…!), Paço Episcopal, Biblioteca Municipal (antiga Igreja dos Frades Trinos), zona exterior da muralha, Rua da Costanilha, etc.. Todos sobreviveram, apesar dalguma refrigeração ambiental, após o que se dirigiu cada um a seu quarto.

Dia 10 de Fevereiro

– Pequeno-almoço no Hotel Turismo entre as 08h15 e as 09h da manhã.
– A partir das 09h, passeio diurno por Miranda do Douro, em busca das coisas da terra e modo airoso de aliviar um pouco as bolsas.
– Às 09h, na porta de entrada da zona histórica da cidade, dissertação a cargo de Joaquim Boiça sobre as origens e evolução da povoação de Miranda do Douro, com especial incidência na sua praça-forte e as suas tremendas vicissitudes.

– Às 09h30, visita do grupo ao Museu da Terra de Miranda, onde se pode ver muito da etnografia da região mas onde uma senhora, aqui e ali austera e em bom cumprimento de superiores ditames, não permitia que tirássemos fotografias…

– Pelas 10h15, visita à Sé de Miranda do Douro e ao Menino Jesus da Cartolinha, para além dos anjos e das anjas, mais ou menos alados e/ou expostos. No final, várias e vários conseguiram descortinar o 2 na arriba espanhola do rio Douro!

  
 

– Convívio de café e novo passeio, agora diurno, por alguns locais emblemáticos da cidade, com relevo para os cachorros zambargonhados encontradiços na Rua da Costanilha, e torres das muralhas. A chuvinha, condimentando um vento frio de rachar, rapidamente aconselhou a deslocação ao almoço.

 

 – Pelas 12h30, almoço no Capa d’Honras. Prato que nos esperava – outra vez, depois de excelentes entradas variadas – era um Bacalhau à moda da casa, que nos aqueceu para o período da tarde.

– 15 horas: visita à albufeira da barragem de Picote no Barrocal do Douro, seguida de vista de olhos, lamentavelmente perturbada pela chuva intensa, ao Moderno Escondido, estilo arquitectónico único (meados do século XX), que integrava as infraestruturas do estaleiro edificado para a construção da Central Hidroeléctrica de Picote, da Hidro-Eléctrica do Douro. Este conjunto encontra-se em franca recuperação (igreja, «centro comercial», pousada, habitações de quadros superiores, etc.).

– 16h30, chegada à aldeia de Picote, com passeio (chuvoso) até ao miradouro de la Peinha de l Puio, para vista dramática sobre o rio Doutro, tendo como anfitrião o professor António Bárbolo Alves que, logo mais, nos levou até ao Ecomuseu Terra Mater – Ecomuseu de la Tierra de Miranda, instituição que dirige através da FRAUGA – Associaçon pa l Zambolbimiento Antegrado de Picuote (http://www.frauga.pt/). Projecção de um filme sobre as actividades da Associação e do Ecomuseu, a que se seguiu dissertação sobre o tema, com sessão de perguntas e respostas. Por fim, ouviu-se a sonoridade do linguajar mirandês, através de leitura de textos e breve sessão de poesia.


 

– 20h – Regresso a Miranda do Douro, ao Capa d’Honras, para fazer as honras a um Cabrito Mirandês na grelha, já alcandorado a património bem material da Humanidade. Convívio e conversa da boa, pela noite fora.

–  De regresso ao Hotel Turismo, alguns houve que ainda prolongaram o dia em bar aberto (ainda que seco…), onde a única coisa bebível foram as palavras e a boa disposição que encheram a noite.
Dia 11 de Fevereiro
– 08h15 – Pequeno almoço e check out. Pelas 09h30 e alguns minutos mais, depois de desbaste nas publicações disponíveis no Turismo e em presença de uma bela manhã ensolarada, saída de Miranda do Douro, até mais ver.

– 09h45 – breve paragem na antiga e abandonada estação de comboios de Duas Igrejas para, a par da constatação de breve queda de neve durante a noite que nos deixou um inefável e inconstante véu branco na paisagem, observarmos os curiosos painéis de azulejos, documentando usos e costumes da região, que forram o exterior do edifício.


 

– 10h15 – chegada a Palaçoulo e, aqui, às Cutelarias FILMAM, Lda. (http://www.filmam.com/), onde se efectuou visita guiada a esta unidade fabril, com 140 anos de arte na cutelaria, e onde cada um, no final, se muniu de navalhicas M.A.M. para todos os gostos e desvairadas funções. (Aqui também não permitiam fotografias…)

 

– 11h30 – Visita guiada à empresa Tanoaria J. M. Gonçalves (http://www.jmgoncalves.com), também em Palaçoulo e também com actividade centenária, onde são produzidos os «Rolls Royce das pipas», com exportação para todo o mundo… conceito extensivo a Oeiras, pois são elas que acolhem o vinho de Carcavelos, actualmente produzido na Estação Agronómica de Oeiras, conforme recente visita da EMACO nos permitiu observar. Entretanto e pelo meio da viagem, deparámos com um simpático passageiro clandestino que logo se fez velha companhia…

– 12h30 – Visita, em Atenor, à AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (http://www.aepga.pt/), onde assistimos a uma excelente e motivadora prelecção de Miguel Nóvoa sobre os objectivos e os resultados já alcançados por esta Associação na protecção, salvaguarda e sustentabilidade desta espécie asinina, e onde tivemos oportunidade para travar conhecimento muito próximo com os burros lhanudos mirandeses, animais dóceis mas ponderados, donos de uma inteligência persistente, dir-se-ia. No final, registou-se um «assalto» por curiosidade às instalações administrativas da Associação, talvez decorrente de uma súbita apetência para também podermos e querermos assumir ser «burros» de uma outra maneira… Desta visita decorreu uma outra ideia: vir a ser a EMACO madrinha de um burrico lanudo mirandês – e está a ideia no ar.

– 14h – Romagem ao Restaurante Burela, de regresso a Palaçoulo, onde nos esperava uma cordial recepção e uma Posta Mirandesa que, se a alguns causou alguma estranheza por não se apresentar cada unidade com as dimensões pantagruélicas de outras eras, não foi menos certo de que se estava em presença de excelentes e saborosíssimos nacos de carne mirandesa, a fazer jus ao nome e à fama. No final, sobremesa típica com queijo e marmelada (ou doces), exemplos superiores de confecção caseira e regional.

 Tempo ainda para travar novos conhecimentos…

 

– 15h30 – despedida às terras de Miranda, em Sendim, com visita «desesperada» ao talho da Dona Alice e à casa de confecções de Susana Castro. E se, no primeiro, nos munimos das celebradas alheiras de Miranda – que nada ficam a dever às outras, bem pelo contrário –­, na segunda, fizeram-se os derradeiros desvarios de compras nos produtos em burel, pardo e surrobeco, bem como em velhos sacos de cereais reaproveitados, matérias-primas de uma interessantíssima e muito original linha de produtos de vestuário e afins.

 

– 16h30 – início do regresso a casa, que se registou às 11h45, nas Galerias Alto da Barra, em Oeiras, sob chuva miudinha, que não teve artes de arrefecer os encantos da jornada.
Uma palavra final de explicação para a única expectativa gorada deste passeio – ainda que largamente substituída por alternativas disponíveis – e que foi o cruzeiro ambiental no rio Douro. Já um ex libris da cidade de Miranda do Douro, não nos esteve acessível por deficiente e tardia informação. De facto, o barco ambiental encontrava-se em manutenção e os cruzeiros temporariamente interrompidos, o que apenas pudemos apurar na véspera da nossa partida.
Entretanto, como saldo derradeiro da iniciativa, apenas me ocorre parafrasear o Luís Vaz, lá pel’Os Lusíadas: melhor experimentá-lo que julgá-lo, mas julgue-o quem não pôde experimentá-lo… E não, não se encontrou pelourinho afeiçoado o bastante para ser condigno a expor poetas às vicissitudes da jornada – ainda que presuntivo juiz não deva imiscuir-se em causa própria.

    

  • Publicado originalmente no blog Sete Mares, por Jorge Castro.
Read More