Visita a Tomar e ao Convento de Cristo

Posted By Jorge Castro on Fev 25, 2018


NOTA – Por razões várias, de que sobressai o reduzido número de inscrições recebidas, que, por sua vez, se prende com a instabilidade climática prevista,  esta visita fica adiada sine die. Informaremos, tão brevemente quanto possível, da nova data.

Optamos, entretanto, por manter a informação geral contida neste artigo como elemento-guia para esta futura visita.

Integrando as Iniciativas 2018 da EMACO, vamos, no próximo dia 10 de Março, visitar o Convento de Cristo e o Centro Histórico de Tomarcidade dos Templários, guiados por José Meco e Joaquim Boiça.

Programa – Visita ao Convento de Cristo guiada por: José Meco

07h15  – Galerias Alto da Barra em Oeiras

07h30  – Saída com destino a Tomar

09h30  – Visita ao Convento de Cristo

13h00  – Almoço no restaurante “Taverna Antiqua”, em Tomar

EMENTA: Couvert – pão, azeitonas e manteiga com alho e ervas


Sopa da horta


2 pratos à escolha – Bochecha de porco com alecrim, Maminha grelhada com migas ou Papelote de pescada com açorda


Tarte de requeijão com molho de frutos do bosque


Bebidas (vinho da casa, cerveja sagres, refrigerante ou água) e Café

Nota: Com a inscrição deverão escolher a refeição e com pedido antecipado, poderemos ter dieta ou prato vegetariano.

15h30  – Visita ao Centro Histórico de Tomar – Praça Central / Igreja S. João Baptista / Complexo Cultural da Levada

Nota: No caso de o tempo nos ser favorável, visitaremos, ainda, a Igreja de Santa Maria dos Olivais e o Aqueduto dos Pegões (que poderá ser visto da estrada)

17h50  –   Regresso, com destino a Oeiras

Inscrições e/ou esclarecimentos adicionais: 962 437 048 | 912 608 720

rui.lemos@espacoememoria.org | joaquimboica@gmail.com

A visita só se realizará com um mínimo de 35 participantes

(*) Preços para 35 pessoas

Sócios: €45,00(*) | Não sócios: €55,00(*)

Inclui: transporte, visita guiada, entradas e almoço e seguro de viagem.

Inscrições até dia 6 de Março

TEXTO DE APOIO

Convento de Cristo 

in http://www.conventocristo.gov.pt/pt/index.php?s=white&pid=168

História

A origem do castelo de Tomar está intimamente ligada aos primórdios do reino de Portugal e à presença dos Templários na península ibérica, então ocupada na maioria do seu território, pelos reinos islâmicos. Era o tempo das Cruzadas e a península, à semelhança da Palestina, era reconhecida como terra de cruzada. Nesse contexto os Templários tomam parte na formação dos novos reinos cristãos da península ibérica.

Os cavaleiros templários vieram para Portugal em 1128. Em 1159, irão receber de D. Afonso Henriques, pela sua participação nas conquistas de Santarém e de Lisboa (1147), um vasto território situado a meia distância entre Coimbra e Santarém, o Termo de Ceras. Nesta região fundaram o Castelo e Vila de Tomar. Em 1312, no seguimento das perseguições contra os Templários perpetradas por Filipe IV, rei de França, a Ordem foi extinta, pelo papa Clemente V.

Porém D. Dinis logra manter os cavaleiros e os bens dos Templários, sob o nome de uma nova ordem de cavalaria, circunscrita ao seu Reino.

Em 1319, ao fim de alguns anos de negociações com a Santa Sé, é instituída a Milícia de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A nova de cavalaria teve o espírito e a regra idênticos aos da extinta Ordem do Templo.

Os Templários

Em 1099 Jerusalém é tomada pelos exércitos da segunda Cruzada à Palestina. Cerca de vinte anos depois, nove cavaleiros oriundos da França e da Borgonha constituem-se em irmandade com o propósito de protegerem os peregrinos nos perigosos caminhos entre o porto de Acre e Jerusalém.

O seu mestre fundador, foi Hugo de Payens, da Borgonha, que com os demais cavaleiros assumem os votos monásticos de pobreza, castidade e a obediência. Em 1128 a sua irmandade, entretanto numerosa, foi reconhecida pelo concílio de Troyes como ordem monástico-militar com o nome de Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo. É então que os cavaleiros abandonam as instalações na igreja do Santo Sepulcro, que os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho lhes tinham cedido, para irem ocupar o seu palácio e outras construções que o rei franco Balduíno II lhes dá, no terraço de Heródes, no antigo templo de Jerusalém. Entre estas construções receberam, para sua igreja conventual, a Mesquita do Rochedo que o califa Omar começara a construir em 642.

Com o tempo, na cultura cruzadesca, a imagem da mesquita transformou-se num imaginário Templo de Salomão e os cavaleiros passaram a ser conhecidos por Cavaleiros do Templo de Salomão ou simplesmente Templários. Também com o tempo, a sua missão mudou e, de defensores de peregrinos, passaram a defensores dos estados cristãos da Terra Santa. A Ordem será mantida graças aos numerosos dons que lhes faziam na Europa, agrupados e administrados de forma metódica em Comendas.

A sua missão durou cerca de 200 anos, período durante o qual a Palestina esteve sob o domínio dos cruzados e o poder dos Templários cresceu graças à sua disciplina militar e organização logística. A queda de Jerusalém em 1291, marca o início da trágica história dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de Outubro de 1307, culmina com a extinção da Ordem a 22 de Março de 1312 pelo Papa Clemente V e a morte na fogueira do último mestre templário, Jacques de Molay em Outubro de 1314.

Porém, o processo de extinção teve um desfecho bem diverso em Portugal, pois o rei D. Dinis logra manter os cavaleiros e os bens dos Templários, sob o nome de uma nova ordem de cavalaria circunscrita ao seu Reino: a Ordem de Cristo.

A Ordem de Cristo

A bula Vox Clamantis de Clemente V decretava, em 1312, a abolição da Ordem do Templo. Posteriormente o Papa ordena que os bens desta, em toda a cristandade, sejam entregues aos Hospitalários.

Porém D. Dinis, não acatando esta ordem, anexa provisoriamente à coroa os bens dos Templários, e habilmente inicia diligências junto da Santa Sé para a criação de uma nova milícia religiosa, alegando a necessidade de defender Portugal do Islão que avizinhava as fronteiras do reino, no Norte de África e no Andaluz. Ao fim de quatro anos de negociações D. Dinis obtém a autorização para fundar a nova ordem religiosa militar.

A 19 de Março de 1319, por bula de João XXII é instituída a Ordo Militae Jesu Christi, ou Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, na qual D. Dinis vai incorporar os cavaleiros, os bens e os privilégios da extinta Ordem do Templo. A nova milícia vai ter inicialmente a sua sede junto à foz do Guadiana, em Castro Marim. O seu primeiro Mestre será D. Gil Martins da Ordem de Avis.

A Ordem de Cristo segue, como no tempo dos Templários, a regra de Cister e o abade de Alcobaça continua a ser o seu juiz espiritual e visitador. Semelhante ao dos Templários, o hábito dos cavaleiros é branco com a cruz vermelha, mas a sua forma é ligeiramente diferente: enquanto a templária tinha os braços curvos, na milícia de Cristo a cruz passa a ter os braços direitos com serifas nas pontas e vazada a branco no meio.

A nova Cavalaria mantém a subordinação ao rei, sendo necessária a sua aprovação para todos os actos de administração, alienação de bens, alteração de costumes, destituição de freires ou comendadores.

Em 1357 a sede da Ordem de Cristo é instalada na antiga sede templária, o castelo de Tomar, onde se mantém definitivamente.

Após 1417, por morte do Mestre D. Lopo Dias de Sousa, D. João I obtém da Santa Sé a nomeação do seu filho, o Infante D. Henrique, para governador e regedor da Ordem de Cristo.

O Capítulo reunido em Tomar em 1421, marca o início das reformas que o Infante vai fazer no seio da milícia. Aí foi adoptada a Regra da Ordem de Calatrava, pela qual a Ordem fica liberta da dependência espiritual e obediência a Cister, mantendo mesmo tempo o estatuto de freires para os cavaleiros.

A Ordem vai abrir-se à vida laica e à sociedade civil com a descoberta de novas terras e novos mares, a qual passa a ser missão da Cavalaria de Cristo. É com o Infante que os Cavaleiros se tornaram navegantes e que muitos navegantes se tornaram cavaleiros de Ordem de Cristo. Para tal, o príncipe obtém do Papa a instituição do voto parcial de pobreza permitindo que o cavaleiro, e por herança a sua família, beneficiasse de um terço dos bens que almejasse para a Ordem.

No campo espiritual vai introduzir na ordem um ramo de frades contemplativos, com o fim de rezarem por aqueles que andavam no além-mar e de formar padres para a evangelização e povoamento dos novos territórios. Fica assim a Ordem definitivamente vinculada ao espiritual das terras descobertas.

Ao designar como seu herdeiro universal o segundo filho do rei D. Duarte, o seu sobrinho D. Fernando, o Infante vai consagrar o exercício da governação da Ordem à família real. É assim que D. Manuel, na linhagem, sobrinho neto do Infante, vai receber com a idade de 14 anos o mestrado da Ordem de Cristo. Mais tarde, por morte prematura do herdeiro real, será D. Manuel que D. João II designará como seu sucessor no trono. Entre 1495 e 1521 D. Manuel é rei de Portugal, governador e regedor da Ordem.

É com D. Manuel que a Ordem terá o seu mais profundo envolvimento na empresa dos Descobrimentos, tanto no espiritual, entregando à Ordem o eclesiástico das paróquias do ultramar, como no temporal, com a dispensa do voto de castidade para os cavaleiros que quisessem fundar família nas terras de além mar. A Ordem fica com D. Manuel detentora de um imenso poderio espalhado por todo o império português.

D. João III, com uma visão de Estado completamente diversa da do seu pai, vai perpetrar uma dramática e profunda reforma na Ordem. Consumados os Descobrimentos, e influenciado pelo espírito da Contra-Reforma da Igreja de Roma, D. João III, constringe os frades religiosos da Ordem à observância de uma vida de clausura.

O protagonista desta reforma será o confessor do rei, Frei António da Silva, dito de Lisboa, religioso dos Jerónimos de Guadalupe. D. João III obtém também da Santa Sé o direito de os reis portugueses advirem perpetuamente mestres da Ordem de Cristo.

Quando Portugal perde a sua independência, em 1580, o rei espanhol Filipe II, herdeiro do trono português, torna-se também mestre da Ordem de Cristo, assim como os monarcas espanhóis que lhe sucederam.

Com a restauração da independência de Portugal em 1640, o novo rei português, D. João IV restabelece o ramo da cavalaria na Ordem de Cristo com uma original inovação: Os novos cavaleiros advêm irmãos religiosos seculares da Ordem. Estes viviam fora do convento com as suas famílias e tinham uma regra especial para a sua vida secular. A missão destes cavaleiros era principalmente de lutar na guerra da Restauração.

O carácter de cavaleiros religiosos laicos é definitivamente consagrado em 1779 pela reforma de D. Maria I. Em 1834 com a extinção das ordens religiosas masculinas a Ordem de Cristo é extinta, mas D. Maria II, decide manter a Ordem de Cristo enquanto Ordem Honorifica. A Ordem de Cristo mantêm actualmente essa dignidade sendo o seu GrãoMestre o Presidente da República Portuguesa.

A extinção das ordens religiosas e o Convento de Cristo

Em 1834, com a revolução liberal, as ordens religiosas masculinas foram extintas. Porém Dª. Maria II mantém a Milícia de Cristo enquanto Ordem honorífica da qual a própria soberana é o Mestre. Muitos dos bens das Ordens extintas foram vendidos em hasta pública pelo governo liberal; outros foram mantidos como monumentos históricos.

Em 1835 foram vendidos a Cerca conventual, o recinto da vila antiga, no castelo, e parte dos edifícios do claustro dos Corvos, no ângulo sul poente do convento. Todos estes bens foram adquiridos por um influente político liberal, António Costa Cabral, a quem mais tarde a rainha conferiu o título nobiliário de Conde de Tomar. A adaptação da ala poente do claustro dos Corvos a um palacete neoclássico é o testemunho da arquitectura e do gosto do século XIX. O Conde de Tomar e os seus descendentes ainda aqui viveram por várias gerações.

As restantes construções do conjunto monumental, que eram pertença da Coroa, constituíam cerca de três quintos da área bruta construída; englobavam os espaços castrejos e os conventuais e tiveram diversos e variados destinos. Assim, em 1876, o conjunto da Enfermaria e Botica, foi destinado a hospital militar, o qual, instalado definitivamente em 1909, aí se manteve até 1993; as construções que rodeiam os pátios dos claustros da Hospedaria e da Micha estiveram na posse de uma companhia da Guarda Nacional Republicana desde o início do século XX até 1935. Outras dependências, nos andares destes claustros, foram transformadas em residências para oficiais militares e funcionários públicos, que abandonaram os locais a partir de 1921, com a vinda para o convento do Seminário da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas.

Finalmente o Estado adquiriu, em 1934, aos descendentes de Costa Cabral, todas as propriedades, rústicas e urbanas que estes detinham por aquisição ou posse do seu antepassado. O conjunto monumental ficou a partir de então confinado a três actividades distintas: A cultural, animada pela associação local de defesa do património, que entretanto se constituíra, a União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo (UAMOC); a educativa e religiosa, incluindo o culto na igreja conventual, pela Sociedade Missionária; a hospitalar pela instituição militar.

No início dos anos 80 a Secretaria de Estado da Cultura passa a tutelar a parte cultural e turística do conjunto monumental e, nos anos 90, dá-se a partida dos locais, primeiro do Seminário das Missões e depois do Hospital Militar. Em Março de 2002 o IPPAR toma posse dos locais da Enfermaria e Botica. A parte urbana do conjunto monumental volta a estar reunida sob a tutela de uma única entidade estatal, ao fim de 165 anos.

São sete séculos de história que voltam a encontrar a sua unidade espacial, a qual se desenvolve por cerca de 4,5 hectares de área bruta construída, incluindo as construções castrejas, e cerca de 3,7 hectares de área útil, a maior parte distribuída pelos quatro pisos do convento renascentista, aos quais resta acrescentar a cerca de clausura do Convento de Cristo, de quarenta e cinco hectares – os Sete Montes de Tomar.

Seminário das Missões Ultramarinas

Instituído a partir de 1922, ocupou parte do Convento de Cristo, sobretudo na ala poente, Claustro dos Corvos, Claustro da Micha, Refeitório, Cozinhas, Dormitórios e Hortas exteriores.

O desígnio deste seminário foi a formação de religiosos para a missionação dos territórios ultramarinos. Aqui eram formados, desde tenra idade, jovens rapazes que em regime de internato, tinham uma instrução escolar e religiosa.

Esta instituição foi transferida para Fátima e Cernache do Bonjardim em 1990.

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